segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Análise de Narcisio na arte

Obra de Vik Muniz
Parte 1
  Esta é a análise de Narciso na arte de Dali, Waterhouse e Caravaggio, respectivamente.

  Narciso costuma ser muito representado em obras de grandes artistas, não apenas pelo narcisismo representado em Narciso, mas principalmente pela transformação (metamorfose), onde as flores brancas que brotam após sua morte revelam o nascimento de algo puro e sem a vaidade e frieza que o conduzia. 
  Também por remeter a uma dualidade que compõe todas as pessoas, e a divisão do mundo real e o fictício, criador por nós mesmos à fim de agradar nosso ego.
Nessa primeira parte vou me limitar ao mito de Narciso e Eco na mitologia grega, para que logo possa esclarecer até os aspectos mais obscuros das obras:

Narciso na mitologia grega

  Seus pais eram o deus dos lagos, Cefiso, e a ninfa Liríope. Antes de seu nascimento, Cefiso e Liríope consultaram um profeta (Tirésias) à respeito do destino de seu filho, o profeta disse que Narciso teria uma longa vida, desde que nunca olhasse seu reflexo.
  Narciso se tornou um jovem herói dotado de extrema beleza, despertava paixões tanto em homens quanto mulheres, porém ele possuía uma arrogância equivalente as proporções de sua beleza, certo dia as moças que eram desprezadas por ele, incluindo a ninfa Eco, pediram aos deuses para vinga-las, então a deusa Némesis fez com que o jovem se apaixonasse por seu reflexo na lagoa de Eco, hipnotizado por sua própria beleza ele definhou até a morte, onde Némesis o transformou em uma flor.

  Existem várias outras versões da mesma história, em uma dela Narciso se apaixona por sua irmã que possuía suas mesmas feições, e quando ela morre, ele procura por ela em seu reflexo na lagoa, onde definha e morre, e em seu lugar nasce uma flor, mas independente da versão Narciso sempre morre, e a flor sempre nasce em seu lugar como a representação de algo novo, algo bom nascendo e florescendo.

Detalhe: nas religiões Zulu, o reflexo é visto como fragmentos da alma, e que poderia ser roubada por criaturas pérfidas através deste reflexo.

   O nome, narcisismo, foi baseado no conto de Narciso. Caracterizado como um transtorno de personalidade por volta do século 19, tem como principais sintomas:

- Precisa de constante atenção;
- Inveja crônica e crença de ser alvo de inveja;
- Obsessão por poder, genialidade, beleza ou riqueza;
- Dificuldade em sentir empatia pelos outros;
- Comportamento manipulador,
- Problemas em manter relacionamentos funcionais;
- Tende a se impor;
- Metas pouco realistas;


Eco na mitologia grega

  Eco era uma linda ninfa que amava os bosques e os montes, e amava sua voz, por isso falava demais e em qualquer conversa ou discussão, queria sempre dizer a última palavra.
  Certo dia Hera foi atrás de Zeus, suspeitando que ele estivesse à traindo com as ninfas, Eco tentou distraí-la com conversa, ao perceber o que ela havia feito, Hera à castigou:
"Só conservarás o uso dessa língua com que me iludiste, para uma coisa de que gostas tanto: responder. Continuarás a dizer a última palavra, mas nunca poderá falar em primeiro lugar”. Era a preferida de Deméter, ajudando-a nas caçadas.

  Certo dia Eco viu Narciso, que caçava sobre as montanhas. Apaixonou-se por ele e seguiu seus passos, mas por conta do castigo que Hades lhe impusera, teve de  esperar com impaciência até que ele falasse primeiro.
  Em uma caçada, Narciso se perdeu de seus companheiros, gritou alto: “Há alguém aqui?”,
Eco respondeu: “Aqui!”, Narciso olhou ao redor, mas não vendo viva alma, bradou: “Vem!”, Eco respondeu: “Vem!”, como ninguém veio Narciso chamou novamente: “Por que me evitas?”, Eco lançou a mesma pergunta; “Vamos nos juntar”, disse o jovem, a donzela respondeu com todo o seu coração, usando as mesmas palavras, e correu ao encontro de Narciso, pronta para abraça-lo. “Tira tuas mãos de mim! Eu preferiria morrer a ser teu”, disse ele, recuando, Depois disso, ela foi esconder sua vergonha no retiro do bosque. Daquele tempo em diante viveu nas cavernas e nas encostas das montanhas. Seu corpo definhou em virtude da tristeza, seus ossos tornaram-se pedras e nada restou de si, exceto a voz.
  Quando Narciso foi amaldiçoado por Némesis, Eco estava próxima dele, repetindo as coisas que dizia ao seu reflexo, até que ele falecesse.

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