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| Obra de Vik Muniz |
Parte 1
Narciso costuma ser
muito representado em obras de grandes artistas, não apenas pelo narcisismo
representado em Narciso, mas principalmente pela transformação (metamorfose),
onde as flores brancas que brotam após sua morte revelam o nascimento de algo
puro e sem a vaidade e frieza que o conduzia.
Também por remeter a uma dualidade que compõe todas as
pessoas, e a divisão do mundo real e o fictício, criador por nós mesmos à fim
de agradar nosso ego.
Nessa primeira parte vou me limitar ao mito de Narciso e Eco
na mitologia grega, para que logo possa esclarecer até os aspectos mais
obscuros das obras:
Narciso na mitologia grega
Seus pais eram o
deus dos lagos, Cefiso, e a ninfa Liríope. Antes de seu nascimento, Cefiso e
Liríope consultaram um profeta (Tirésias) à respeito do destino de seu filho, o
profeta disse que Narciso teria uma longa vida, desde que nunca olhasse seu
reflexo.
Narciso se tornou um jovem herói dotado de extrema beleza,
despertava paixões tanto em homens quanto mulheres, porém ele possuía uma
arrogância equivalente as proporções de sua beleza, certo dia as moças que eram
desprezadas por ele, incluindo a ninfa Eco, pediram aos deuses para vinga-las,
então a deusa Némesis fez com que o jovem se apaixonasse por seu reflexo na
lagoa de Eco, hipnotizado por sua própria beleza ele definhou até a morte, onde
Némesis o transformou em uma flor.
Existem várias outras
versões da mesma história, em uma dela Narciso se apaixona por sua irmã que
possuía suas mesmas feições, e quando ela morre, ele procura por ela em seu
reflexo na lagoa, onde definha e morre, e em seu lugar nasce uma flor, mas independente da versão Narciso sempre morre, e a flor sempre
nasce em seu lugar como a representação de algo novo, algo bom nascendo e
florescendo.
Detalhe: nas religiões Zulu, o reflexo é visto como
fragmentos da alma, e que poderia ser roubada por criaturas pérfidas através
deste reflexo.
O nome, narcisismo,
foi baseado no conto de Narciso. Caracterizado como um transtorno de
personalidade por volta do século 19, tem como principais sintomas:
- Precisa de constante atenção;
- Inveja crônica e crença de ser alvo de inveja;
- Obsessão por poder, genialidade, beleza ou riqueza;
- Dificuldade em sentir empatia pelos outros;
- Comportamento manipulador,
- Problemas em manter relacionamentos funcionais;
- Tende a se impor;
- Metas pouco realistas;
Eco na mitologia grega
Eco era uma linda ninfa que amava os bosques e os montes, e
amava sua voz, por isso falava demais e em qualquer conversa ou discussão,
queria sempre dizer a última palavra.
Certo dia Hera foi atrás de Zeus, suspeitando que ele
estivesse à traindo com as ninfas, Eco tentou distraí-la com conversa, ao
perceber o que ela havia feito, Hera à castigou:
"Só conservarás o uso dessa língua com que me iludiste,
para uma coisa de que gostas tanto: responder. Continuarás a dizer a última
palavra, mas nunca poderá falar em primeiro lugar”. Era a preferida de Deméter,
ajudando-a nas caçadas.
Certo dia Eco viu
Narciso, que caçava sobre as montanhas. Apaixonou-se por ele e seguiu seus
passos, mas por conta do castigo que Hades lhe impusera, teve de esperar com impaciência até que ele falasse
primeiro.
Em uma caçada, Narciso se perdeu de seus companheiros,
gritou alto: “Há alguém aqui?”,
Eco respondeu: “Aqui!”, Narciso olhou ao redor, mas não
vendo viva alma, bradou: “Vem!”, Eco respondeu: “Vem!”, como ninguém veio
Narciso chamou novamente: “Por que me evitas?”, Eco lançou a mesma pergunta;
“Vamos nos juntar”, disse o jovem, a donzela respondeu com todo o seu coração,
usando as mesmas palavras, e correu ao encontro de Narciso, pronta para
abraça-lo. “Tira tuas mãos de mim! Eu preferiria morrer a ser teu”, disse ele,
recuando, Depois disso, ela foi esconder sua vergonha no retiro do bosque.
Daquele tempo em diante viveu nas cavernas e nas encostas das montanhas. Seu
corpo definhou em virtude da tristeza, seus ossos tornaram-se pedras e nada restou
de si, exceto a voz.
Quando Narciso foi
amaldiçoado por Némesis, Eco estava próxima dele, repetindo as coisas que dizia
ao seu reflexo, até que ele falecesse.

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